Timor-Leste: TAIS (tecido tradicional)

O TAIS é o tecido tradicional de Timor-Leste e é elaborado artesanalmente num tear. Trata-se de um tecido que acaba por retratar o povo, deixando transparecer a sua diversidade étnico-linguística, através das cores, motivos e técnicas utilizados na tecelagem.
Timor-Leste reparte-se em treze distritos que conseguem distinguir-se entre si através dos TAIS, utilizando estes diferentes cores, padrões ou técnicas de tecelagem.
Os TAIS que saem dos teares não são destinados prio¬ritariamente a serem usados, excepto quando já estão gastos ou quando existem cerimónias que celebram as várias fases da vida de um indivíduo: apresentação de um recém-nascido, dia de iniciação na caça de um jovem guerreiro, casamento, enterro ou em certos rituais que se prendem com as tradições do grupo: inaugu¬ração de uma casa, por exemplo. Em todas estas cerimónias, está implicado o indivíduo, a linhagem, a família e a etnia ou grupo em que ele se encontra inserido e é aqui que os têxteis ganham uma importân¬cia relevante, como produtos de troca nas relações sociais e eco¬nómicas, assegurando a sobrevivência da linhagem e do grupo. Como herança cultural assume, portanto, um papel vital nas actividades tradicionais.
Os TAIS são realizados maioritariamente por mulheres, sendo, pela sua simbologia e importância, uma actividade bastante respeitada nas comunidades.
A principal fibra utilizada é o algodão e nos locais onde este é cultivado, assiste-se ainda à fiação manual, especialmente na elaboração de têxteis que possuam um carácter especial.
Nos últimos anos, contudo, pela situação de Timor-Leste (com a entrada em massa de internacionais no país), o TAIS tem assumido um carácter comercial. Assim, o método tradicional de fiação do algodão, seguido do tingimento através de processos naturais, não conseguiria dar resposta à procura deste têxtil, o que fez com que a utilização dos fios pré-tingidos e fibras sintéticas se transformassem em realidade.
As cores utilizadas na elaboração dos TAIS, como anteriormente se referiu, são diversas sendo, no entanto, o vermelho a cor dominante. Embora existam alguns autores que apontem para uma inspiração a partir do tom das buganvílias em flor, durante a estação seca, esta cor, para muitas comunidades timorenses, está tradicionalmente associada à vida, ao sangue e à coragem.

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